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Tião Rocha

“É possível criar uma sociedade polivalente, diversificada? É, porque não foi feito ainda. Se ninguém fez, é possível. Isso é o que eu chamo de utopia. Utopia para mim não é um sonho impossível. É um não-feito-ainda, algo que nunca ninguém fez.”

corpocanto

há 1 ano despedia da barriga numa dança grave e lenta
numa aula de canto doce de mulheres
canto espiral de mulheres
sem saber que era a despedida final

antes da bolsa estourar
antes da dor do grito do osso que abre comprido
antes de voar prum planeta molhado e sem forma
antes de me ver muito e me perder de mim como nunca
pra abrir espaço pro novo
pro novo mundo

inunda

a noite é uma criança
.aqui dentro.
e lá fora muitos gatos correm e cantam,
perseguindo o que?
um salto ao silêncio do outro lado do muro?

 

mais além tem a dança o teatro o grito a melodia

me perseguindo no escuro gritante da cena

com canhões de luz

movendo-se lentos no infinito

como se fosse dia

 

me lembro de ser eu.
e já me sou mais outra
que vou sendo
a cada dia
e outra, de novo.
tudo novo de novo.
e de novo:
não me cabo em mim.

a vida parece pouca
oca
louca
demais
pra viver tudo que sou.

assusta?

resta viver
cada ser
que explode dentro de mim.
agora.
assim.

mesmo que no silêncio solitário da casa
corpocasa

eu sozinha:
uma enchente
cheia de gente.

eu e as danças que me criam

Fotos: Paulo Pereira

sem fim

tem uma poesia sem fim correndo dentro de mim
e também do lado
tem verso virado

em cada nota
em cada póro
pororoca

 

 

 

rn

Por incrível que pareça
O bebê recém-nascido
Às vezes eu olho
Parece um velho

recém renascida

Minha alma anda delicada como a de um recém-nascido.