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Posts Tagged ‘casa’

a noite é uma criança
.aqui dentro.
e lá fora muitos gatos correm e cantam,
perseguindo o que?
um salto ao silêncio do outro lado do muro?

 

mais além tem a dança o teatro o grito a melodia

me perseguindo no escuro gritante da cena

com canhões de luz

movendo-se lentos no infinito

como se fosse dia

 

me lembro de ser eu.
e já me sou mais outra
que vou sendo
a cada dia
e outra, de novo.
tudo novo de novo.
e de novo:
não me cabo em mim.

a vida parece pouca
oca
louca
demais
pra viver tudo que sou.

assusta?

resta viver
cada ser
que explode dentro de mim.
agora.
assim.

mesmo que no silêncio solitário da casa
corpocasa

eu sozinha:
uma enchente
cheia de gente.

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“Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase “se eu fosse eu”, que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir.
E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.
Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho, por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo o que é meu, e confiaria o futuro ao futuro.
“Se eu fosse eu” parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais”.
(Texto extraído do livro A Descoberta do Mundo, Clarice Lispector, pg. 160)

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diante do novo

gente foi feita pra criar!

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sem cabimento

 

corpocabeçadescabidosnumquadrado

 

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idéias materiais

projetando um ateliê multimidia. espaço para desenvolver as diversas linguagens que me perseguem o sentido. necessidade de mergulho no material. material de que sou feita.
projetando o sonho pra ele chegar mais perto.

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